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Ontem foi um dia muito triste aqui na minha linda praia. Assisti de perto a chegada de um barco com 110 refugiados. Eles vieram do Haití. Foi uma longa, perigosa e desesperada travessia de 23 dias a bordo de um pequeno barco. Um deles morreu afogado bem pertinho da praia. Ele pulou na água muito antes do barco chegar e foi arrastado pela forte correnteza. Uma coisa horrivel. O meu coração quase parou de tanta tristeza.

Ao mesmo tempo que chorava pelo enorme sofrimento de todos eles, senti uma uma grande vontade de tocá-los e de poder me comunicar com eles, de perguntar muitas coisas e de saber o que leva um ser humano a arriscar tudo para fugir de um lugar. O Haití é hoje um dos lugares mais pobres e violentos do mundo.

Que bravura dessas pessoas de enfrentar o mar aberto cheio de tempestades e ondas gigantescas, o frio, os ventos, a fome, a solidão num barquinho tão frágil. A coragem de deixar toda a família e amigos para traz rumo à um lugar totalmente desconhecido.

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Nunca mais esquecerei o olhar daquelas pessoas chegando na praia totalmente exaustas, fracas, magras, desidratadas mas ao mesmo tempo, felizes de chegar. Foram momentos realmente emocionantes.

A polícia, os bombeiros, os paramédicos e a Guarda Costeira logo chegaram. A praia virou um circo. Alguns dos refugiados conseguiram correr e chegaram na avenida principal. Foram logos cercados pelas autoridades. Parecia até cena de filme.

As travessias são comuns aqui nos Sul da Flórida. Eu sempre acompanhei pela televisão, mas nunca havia visto um desembarque de perto. Este foi o meu primeiro e espero que tenha sido o último.

Que maravilhosa lição de vida e coragem. Na hora, eu queria chegar perto deles para comprimentá-los e dizer o quanto estava orgulhoso e felizes por eles terem conseguido chegar, mas não consegui. Tudo aconteceu tão rápido que não houve tempo para dizer alguma coisa ou gesticular algo!!! A polícia proibiu qualquer tipo de comunicação com eles.

Gostaria muito de ter dado uma melalha pra cada um. Que estas imagens sirvam para nos ensinar que quando não estamos felizes com as coisas, temos que partir à procura de algo melhor e não ficar sentados esperando que o “circo” pegue fogo.

Infelizmente. segundo as informações que recebi, todos eles serão deportados de volta ao Haití e provavelmente presos e torturados quando chegarem lá.

Estou rezando por todos eles e pedindo a Deus por um grande milagre. O fim da injustiça social, violência e da pobleza no mundo.

 

O Aquecimento Global

March 29, 2007

 

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A Prece De Matthew Henry

March 28, 2007

 

Um grande amigo me ligou hoje de São Paulo. Estava super nervoso. Tinha acabado de ser assaltado pela primeira vez. Felizmente não se machucou e o ladrão só levou a carteira e o relógio. Disse pra ele se acalmar e agradecer. Afinal, poderia ter sido muito pior. Poderia fácilmente ter sido sequestrado, torturado ou até mesmo levado um tiro!! Acho que nessas horas, a gente tem que tentar ficar calmo, não reagir e agradecer a Deus. Disse pra ele rezar a famosa prece do Matthew Henry. Você conhece?

O Matthew Henry é um conhecido especialista em estudos bíblicos. Certa vez, quando voltava da Universidade onde leciona foi assaltado também. Naquela noite, ele escreveu a seguinte:

“Quero agradecer, em primeiro lugar, porque eu nunca fui assaltado antes.
Em segundo lugar, porque levaram a minha carteira, e deixaram a minha vida.
Em terceiro lugar, porque mesmo que tenham levado tudo, não era muito.
Finalmente, quero agradecer porque eu fui aquele que foi roubado e não aquele que roubou.”

É isso aí.

 

Mensagem do Dia

March 27, 2007

 

“Passados dois meses de tantas histórias, comecei a pensar no sentido da solidão… solidão foi a única coisa que não senti depois de partir. Nunca. Em momento algum. Estava, sim atacado por uma voraz saudade. De tudo e de todos, de coisas e pessoas que há muito tempo não via. Mas a saudade às vezes faz bem ao coração. Valoriza os sentimentos, acende as esperanças e apaga as distâncias. Quem tem um amigo, mesmo que um só, não importa onde se encontre, jamais sofrerá de solidão; poderá morrer de saudade, mas nunca estará só”.

Trecho do livro “Cem Dias Entre Céu e Mar” – Amyr Klink