Gente Chata
June 20, 2007
Gente chata essa que quer ser séria, profunda, visceral. Putz, coisa pentelha! A vida já é um caos, por que fazermos dela, ainda por cima, um tratado do Schopenhauer? Deixe a urgência para as horas em que ela é inevitável: mortes, separações, dores. No dia-a-dia, pelo amor de Deus, seja idiota. Ria dos próprios defeitos, tire sarro de suas inabilidades.
Ignore o que o boçal do seu chefe proferiu. Pense assim: quem tem que carregar aquela cara feia, todos os dias, inseparavelmente, é ele. Pobre dele. E nada pessoal também. Pior o Michael Jackson! Milhares de casamentos acabaram-se não pela falta de amor, dinheiro, sexo, sincronia, mas pela ausência de idiotice. Trate seu amor como seu melhor amigo, e pronto.
Quem disse que é bom dividirmos a vida com alguém que tem conselho pra tudo, soluções sensatas, objetivos claramente traçados, mas não consegue rir quando tropeça? Que sabe resolver uma crise familiar, mas não tem a menor idéia de como preencher as horas livres de um fim de semana?
Quanto tempo faz que você não vai ao cinema, não joga videogame, maçã do amor no circo ou parque de diversões nem se fala. Também valem beijo no portão, amasso no carro, essas coisas. Sim, porque é bem comum gente que fica perdida quando se acabam os problemas. E aí, o que elas farão se já não têm por que se desesperar? Em suma: desaprenderam a brincar. Eu não quero alguém assim comigo. Tudo que é mais difícil é mais gostoso, mas a realidade já é dura; piora se for densa. Dura e densa, ruim. Brincar é legal.
Entendeu? Esqueça o que te falaram sobre ser adulto, tudo aquilo de não brincar com comida, não falar besteira, não ser imaturo, não se descontrolar, não demonstrar o que sente, não chorar nem comer danoninho, não andar descalço. É muito não. Dá pra ser feliz com tanto não? Pagar as contas, ser bem-sucedido, amar, ter filhos, saber beber, levar a gata pra jantar e depois pro motel, resolver os seus pepinos e os abacaxis dos outros, dar atenção ao tio doente e lembrar do seguro do carro que vence amanhã - tarefa brava. Piora, muito, com o peso de todos aqueles nãos.
Tenha fé em uma coisa: dá certo ser adulto e idiota. Aliás, tudo fica bem mais fácil se for regado a idiotice, bom humor e muitas gargalhadas. Manuel Bandeira foi um grande homem e um grande poeta. Disse certa vez: “E por que essa condenação da piada, como se a vida fosse só feita de momentos graves ou só nesses houvesse teor poético?”. Estava certo. E viva a abobrinha!!! Empine pipa!!! Adultos podem (e devem) contar piadas, ir ao fliperama, passear no parque, gostar dos Simpsons, beliscar a bunda da mulher, sair pelados pela cozinha e lamber a tampa do iogurte. Ser adulto não é perder os prazeres da vida - e esse é o único “não” realmente aceitável. Teste a teoria. Uma semaninha, pra começar. Veja e sinta as coisas como se elas fossem o que são, passageiras. Acorde de manhã e decida entre duas coisas: ficar de mau humor e transmitir isso adiante ou fingir um sorriso que acaba trazendo outros verdadeiros e de repente tudo está fluindo bem, a seu favor - então o sorriso se torna grande. A briga, a dívida, a dor, a mágoa, a dúvida, a raiva, tudinho vai passar, então pra que tanta gravidade? Já fez tudo o que podia para resolver o problema? Parou, chorou, respirou fundo, comeu chocolate e pediu arrêgo? Ótimo, hora da idiotice: entre na Internet, jogue pebolim, coma um churrasco grego, vá por um caminho diferente, cantarole no trnsito! Tá numa de empinar pipa no sábado? Vá. E suje a roupa na grama, por favor. Quer conversar com sua namorada imitando o Pato Donald, mas acha muito boçal? E é, mas e daí? Você realmente acha que ela vai gostar menos de você por isso? Ela não vai, tenha certeza. Só vai gostar mais, porque é delicioso estarmos com quem sorri e ri de si mesmo. E não se surpreenda se chegar em casa e a encontrar fantasiada de Margarida, só pra variar o clichê champagne-morangos-lingerie.
Eu fico chateado por não ser tão idiota quanto gostaria; tenho uma mania horrível de, sem querer, recair na seriedade. Então o mundo fica cinza e cada lágrima ganha o peso de uma bigorna. Nessas horas não preciso de cenhos franzidos de preocupação. Nessas horas tudo de que preciso é uma bela, grande e impagável idiotice. Aquelas besteiras que o colega ao lado sempre solta. Como sair pra jogar paintball - ou, melhor ainda, me olhar fixamente no espelho até notar como fico feio com os olhos vermelhos e o nariz escorrendo.
Como fico ridículo quando esqueço que tudo passa. E como meu sorriso é bonito! Bom mesmo é ter o problema na cabeça, o sorriso na boca e paz no coração!!!!. Aliás, entregue os problemas nas mãos de Deus e, que tal batata frita com sorvete agora mesmo, no happy hour??? Tenha um dia perfeito, um final de semana maravilhoso, uma vida feliz e nunca deixe de ser criança!








June 20, 2007 at 1:37 pm
Julinho, maravilhoso seu texto, esse belo exemplo de como devemos ser ou melhor, devemos sempre ser assim, verdadeiros alegres e crianções, com uma pitada de moderação para não levar pito do chefe.
Acho que se esse texto tivesse 10 páginas eu diria que era pouco, muito gostoso de ler, tudo muito bem claro.
Eu não posso mentir, infelizmente sou meio marrudo, tenho senso de humor, gosto de piada e sempre estou procurando motivos para rir, inclusive tenho observado que sacanear com a minha foto no Photoshop tem sido muito legal e divertido ao ponto de rir muito. Agora estou brincando de carrinho, pois é, quem diria que um cara pai de duas filhas já bem crescidas brinca de carrinho!!! pois é, podem rir eu achar “coitado esse não teve infância”, eu diria que essas pessoas talvez não tenham algo de divertido para se alegrar ou para se sentir bem, a não ser ficar fazendo fofoca.
Realmente, o sorriso é tudo, humor então é fundamental para mostrar que a vida deve ser sempre assim, feliz independente dos problemas e das contas vencidas.
Esse lance de correr pelado dentro de casa é show de bola, mas ninguém é santo e quem ainda não o fez faça, só não tive coragem ainda de fazer isso perto das minha filhas, de resto já passei por essa experiência. Por falar de idiotices, me lembro do meu falecido pai, ele as vezes jogava a dentadura dele no chão peto das minhas filhas, era simplesmente engraçado ver as duas coisas, ele sem dente e as minhas filhas rindo que só…ou sentindo pavor de ver os dentes no chão…rs
Obriado Julinho pelo toque, muito bom esse conteúdo.
Ismar
Ismar
June 20, 2007 at 1:53 pm
O Julinho me fez rir com seu texto , e o Ismar também , mas é mesmo interessante como a gente passa o tempo todo querendo que as coisas sejam certinhas, e esquecemos completamente de ser crianças , e precisamos disso , no meu caso tenho uma filhinha e dificilmente rolo no chão e brinco com ela , temos que deixar certas coisas de lado e se esbaldar , bricar mesmo esquecer um pouco os problemas do dia a dia que acaba nos sufocando .
Belo testo , ninguém absolutamente ninguém é perfeito, então , coora pule , brinque de bola , de carrinho ou seja lá o que for , volte a ser criança de vez em sempre .
Abraços a todos ,
Reinaldo Lima - Guarulhos
June 20, 2007 at 3:27 pm
tá vendo só, já está dando resultados….
somos erdeiros dos defeitos da nossa criação, infelizmente é por isso que somo meio diferentes, as vezs muito chatos, carrancutos, pouco riso, etc mas nada como rir das histórias dos outros ou tentar rir de si mesmo.
Abraço,
Ismar
June 20, 2007 at 4:17 pm
Julinho, que texto lindo esse!! Uma verdadeira lição de vida.
June 21, 2007 at 5:40 pm
Julinho,
Tuddo que vc escreveu serve pra todos nós, que infelizmente levamos a vida tão a sério, com certeza esses momentos de relaxamento de regras tão impostas por nós mesmos tem que ser esquecidas muitas vezes, pois acho que só fazendo isso conseguimos ser felizes de verdade !!!! Valeu mesmo !!!!
Já comi pipoca, danoninho e brigadeiro com as crianças em sua homenagem !!!!
Beijos e bom final de semana
Angélica
June 21, 2007 at 11:57 pm
Olá Jullinho, é a primeira vez que comento aqui, mas sempre leio seus textos, muito sensíveis e verdadeiros, quem me apresentou ao seu blog foi o Luiz Paulo, meu namorado, ele tá sempre por aqui..não é!
Sobre esse texto em especial ele me tocou muito mesmo, pois concordo com você totalmente..temos é que ter isso como a maior riqueza da nossa vida é a alegria, o bom humor, poder viver o lado avesso das coisas normalmente certinhas…quem disse que não pode isso..ou aquilo…só pq passamos dos 30? nãooooooo..pode simmm, podemos tudo..só precisa querer! a vida já é séria demais por si própria….falta só vivermos como crianças, rindo, falando bobeiras, sendo felizes porque sempre tive essa certeza e desde que reencontrei o Luiz aí então eu percebi que não sonhava em vão..como ele me faz rir, de tudo, nos divertimos demais..e nem precisamos de grandes coisas, e antes de qualquer sintonia tem que haver essa da alegria cúmplice das coisas mais simples da vida, momentos de paz que ficam gravados pra sempre na memória!
Você foi muito feliz em tudo que escreveu!
abraços e paz pra vc!
June 23, 2007 at 4:56 pm
Nunca deixei meu lado criança morrer. Exercito-o diariamente, afinal faz parte da vida ser feliz. As crianças, melhor do que ninguém, sabem ser felizes.
Depois que crescemos, aprendemos a ser chatos, mal-humorados e impacientes.
Viva a vida e viva a descontração!
June 24, 2007 at 1:38 am
O meu problema não é ser adulto, mas deixar de ser criança.
Um de seus melhores posts Julinho.
Best wishes 4 everybody.