O Papa-Léguas
January 16, 2008
O Coiote persegue furiosamente o Papa-Léguas. De repente, a ave para. O Coiote tenta, mas não consegue, ele passa direto pelo Papa-Léguas, escorregando até a ponta de um penhasco. O chão cede e, só por um instante, vemos seus olhos em forma de pires. E então o Coiote se espatifa. Ploft !
Eu adoro os desenhos do Papa-Léguas. Comprei toda a coleção em DVD.
O Coiote e eu temos uma sina comum. Eu também me aventurei bem perto do penhasco. Também me vi num terreno incerto, e levei um tombo.
Eu também já fiz aquele olhar do tipo “olha, isso vai doer, heim !”. Também olhei para cima, do fundo da lama, aturdido e estupefato.
Mas o Coiote possui uma coisa. Eu não. Ele é invencível. Nunca fica machucado. As quedas não o perturbam.
Na cena seguinte ele está empilhando dinamite ou pintando uma parede, deixando-a parecer um túnel. Em segundos, ele sai da lama e volta a caçar.
Você e eu não nos recuperamos com tanta facilidade. Caímos como o Coiote.
Mas, diferente dele, vagueamos pelo precipício por um tempo. Aturdidos, machucados, e imaginando se existe algum jeito de sair do barranco.
Então, qual é a lição ?
O desenho do Papa-Léguas é uma representação de um modelo de planejamento estratégico para a vida. O Coiote está faminto - uma condição que ele está profunda e pessoalmente empenhado em mudar. Conseguir pegar o Papa-Léguas (a comida) é o objetivo estratégico do Coiote.
Em alguns episódios, quando imagina a ave sendo assada em seu espeto ou a fumaça saindo de seu prato, o Coiote compartilha a sua visão, o seu sonho.
Ele também tem uma “missão”, apesar dela mudar freqüentemente.
Em uma de suas missões, por exemplo, o Coiote prende uma bigorna em um balão, utiliza um ventilador para impulsionar o aparato e conta com uma banana de dinamite com pavio comprido para soltar a bigorna exatamente sobre o Papa-Léguas. Porém, na preparação para o lançamento, ele acende o pavio comprido e este, para seu desespero, queima completamente em menos de um segundo, fazendo a dinamite explodir em sua cara. O Coiote fica completamente enegrecido com a explosão, todo carbonizado, e vai saindo de cena de maneira desengonçada. A imagem vai desaparecendo gradualmente e quando ele volta, o Coiote está criando uma estratégia totalmente nova para uma outra missão.
Dessa vez, ele utilizará entre outras coisas, uma catapulta e uma enorme pedra. É quase certo que o Coiote, demasiadamente magro, vai ficar sem comer até morrer. Ele abandonou a idéia da bigorna pendurada no balão por causa de um pavio com defeito e, certamente, abandonará a idéia da catapulta com a enorme pedra devido a um outro defeito do mecanismo.
O Coiote já apresentou dúzias, se não centenas de projetos engenhosos para capturar o Papa-Léguas - e todos poderiam ter dado certo se fosse feito um planejamento um pouco mais cuidadoso. A questão é que o Coiote tem muita pressa para sentar e planejar as coisas.
Como a maioria das pessoas que assiste às suas trapalhadas, ele acredita na ação imediata para obter resultados. Como muitos, lida constantemente com o fracasso e a decepção.
Meu conselho para o Coiote : pegue uma de suas melhores idéias, elabore-a e leve-a a cabo.
No caso da idéia da bigorna, por exemplo, pergunte-se qual seria o tempo ideal para o pavio queimar. Será que você tem de usar dinamite mesmo ?
Que tal utilizar um mecanismo de controle remoto para que você mesmo possa controlar a bigorna ?
Crie uma lista de coisas que devem ser verificadas, como o que poderia explodir na sua cara e o que faria com que você se arrebentasse no chão ou caísse de uma grande altura com aquele efeito sonoro característico.
Como você poderia evitar que isso acontecesse ?
Antecipe e resolva todos os problemas para que você possa, finalmente, saborear a suculenta ave no jantar.
O planejamento eficaz é responsável pela diferença entre almejar o sucesso e alcançá-lo.
Midnight Soul
January 13, 2008
Nada melhor do que começar a semana com a alma renovada e ouvindo um som especial. Vamos aumentar o volume para poder encarar nossos próximos dias com muito rítimo nos pés e um alto astral no coração.
O Midnight Soul traz um pouco de tudo. Dos incríveis arranjos do legendário Roy Ayres, passando até por alguns dos mais consagrados labels e artistas do underground de San Francisco e Detroit. Uma gostosa salada musical temperada com trabalhos de todas as partes do mundo incluindo Suécia e Nova Zelândia.
É uma coletânea com preciosidades que até agora poucos tiveram a chance de ouvir. Nela, existem nomes como Platinum Pied Pipers, Greyboy, Amp Fidller, Roy Davis Jr, Erykah Badu, Alice Russell, JT Ronaldson, Norah Jones e Reinassance que fazem parte da nova revolução Soul. É um dos meus discos favoritos e que faz a gente viajar bem gostoso. Que tal? Prontos para o embarque?
Uma ótima semana a todos.
BBC Classic Tracks (Vol. 5)
January 8, 2008
O Tears for Fears sempre teve um espaço especial na minha coleção. Adoro a voz e os arranjos do Curt e do Roland. Eles criaram um som bem diferente e original das outras bandas da época. Uma dupla muito especial e cheia de talento. Eu tocava muito as músicas deles nos meus programas de rádio na Jovem Pan, Pool, Bandeirantes, 95 FM e tantas outras onde trabalhei.
O Tears esteve presente também em todos os meus surfaris pelo mundo e principalmente nas viagens pelo litoral brasileiro. Não dava pra viajar sem ter pelo menos algumas fitas na mala!! Até hoje, toda vez que viajo, levo o som deles comigo.
Nesta quinta edição do BBC Classic Tracks, em vez dos “tracks” tradicionais que normalmente apresento, estou trazendo o último show da tourné inglesa de 83 gravado no famoso Hammersmith Palais em Londres. Uma preciosidade que até agora só quem estava presente no show pode curtir.
Um grande abraço e…welcome to the show my friends!!
Tears for Fears - Live at The Hammersmith Palais (Exclusivo)
Sucesso
January 2, 2008
Hoje, encontrei este maravilhoso texto do Nizan Guanaes e resolvi publicar. Acho que combina muito com o momento.
Na realidade, este foi o discurso dele como paraninfo de uma turma de formandos em Administração de Empresas, da Bahia. Uma preciosidade.
Aqui vai…
Dizem que conselho só se dá a quem pede. E, se vocês me convidaram para paraninfo, estou tentado a acreditar que tenho sua licença para dar alguns.
Portanto, apesar da minha pouca autoridade para dar conselhos a quem quer que seja, aqui vão alguns, que julgo valiosos.
Não paute sua vida, nem sua carreira, pelo dinheiro. Ame seu ofício com todo o coração. Persiga fazer o melhor. Seja fascinado pelo realizar, que o dinheiro virá como conseqüência.
Quem pensa só em dinheiro não consegue sequer ser nem um grande bandido, nem um grande canalha.
Napoleão não invadiu a Europa por dinheiro. Hitler não matou 6 milhões de judeus por dinheiro. Michelangelo não passou 16 anos pintando a capela sistina por dinheiro. E, geralmente, os que só pensam nele não o ganham. Porque são incapazes de sonhar.
E tudo que fica pronto na vida foi construído antes, na alma.
A propósito disso, lembro-me de uma passagem extraordinária, que descreve o diálogo entre uma freira americana cuidando de leprosos no pacífico e um milionário texano. O milionário, vendo-a tratar daqueles leprosos, disse:
– Freira, eu não faria isso por dinheiro nenhum no mundo.
E ela responde:
– Eu também não, meu filho.
Não estou fazendo com isso nenhuma apologia à pobreza, muito pelo contrário. Digo apenas que pensar e realizar, tem trazido mais fortuna do que pensar em fortuna.
Meu segundo conselho:
Pense no seu país. Porque, principalmente hoje, pensar em todos é a melhor maneira de pensar em si.
Afinal é difícil viver numa nação onde a maioria morre de fome e a minoria morre de medo. O caos político gera uma queda de padrão de vida generalizada. Os pobres vivem como bichos e uma elite brega, sem cultura e sem refinamento, não chega a viver como homem. Roubam, mas vivem uma vida digna de Odorico Paraguassu.
Meu terceiro conselho vem diretamente da bíblia:
“Seja quente ou seja frio, não seja morno que eu te vomito” é exatamente isso que está escrito na carta de Laudiceia:
Seja quente ou seja frio, não seja morno que eu te vomito:
É preferível o erro à omissão. O fracasso, ao tédio. O escândalo, ao vazio.
Porque já vi grandes livros e filmes sobre a tristeza, a tragédia, o fracasso. Mas ninguém narra o ócio, a acomodação, o não fazer, o remanso.
Colabore com seu biógrafo. Faça, erre, tente, falhe, lute. Mas, por favor, não jogue fora, se acomodando, a extraordinária oportunidade de ter vivido.
Tendo consciência de que, cada homem foi feito para fazer história. Que todo homem é um milagre e traz em si uma evolução. Que é mais do que sexo ou dinheiro. Você foi criado para construir pirâmides e versos, descobrir continentes e mundos, e, caminhar sempre com um saco de interrogações na mão e uma caixa de possibilidades na outra.
Não use “rider”, não dê férias a seus pés. Não se sente e passe a ser analista da vida alheia, espectador do mundo, comentarista do cotidiano, dessas pessoas que vivem a dizer: eu não disse! Eu sabia!
Toda família tem um tio batalhador e bem de vida. E, durante o almoço de domingo, tem que agüentar aquele outro tio muito inteligente e fracassado contar tudo que ele faria, se fizesse alguma coisa.
Chega dos poetas não publicados. Empresários de mesa de bar. Pessoas que fazem coisas fantásticas toda sexta de noite, todo sábado e domingo, mas que na segunda não sabem concretizar o que falam.
Porque não sabem ansiar, não sabem perder a pose, porque não sabem recomeçar. Porque não sabem trabalhar. Eu digo: trabalhem, trabalhem, trabalhem. De 8 às 12, de 12 as 8 e mais se for preciso.
Trabalho não mata. Ocupa o tempo. Evita o ócio, que é a morada do demônio, e constrói prodígios.
O Brasil, este país de malandros e espertos, da vantagem em tudo, tem muito que aprender com aqueles trouxas dos japoneses. Porque aqueles trouxas japoneses que trabalham de sol a sol construíram, em menos de 50 anos, a 2ª maior megapotência do planeta, enquanto nós, os espertos, construímos uma das maiores impotências do trabalho.
Trabalhe! Muitos de seus colegas dirão que você está perdendo sua vida, porque você vai trabalhar enquanto eles veraneiam.
Porque você vai trabalhar, enquanto eles vão ao mesmo bar da semana anterior, conversar as mesmas conversas, mas o tempo, que é mesmo o senhor da razão, vai bendizer o fruto do seu esforço, e só o trabalho lhe leva a conhecer pessoas e mundos que os acomodados não conhecerão.
E isso se chama sucesso.
Nizan Guanaes









