ET…Phone Home!!
February 9, 2008
O Brasileiro parece não compreender muito bem o que é democracia. Vira e mexe
ainda é possível ouvir frases quase sussurradas pelos mais velhos como: “Nos
tempos da ditadura não havia tanta corrupção”. Ou “na época em que a o Brasil era
governado por militares seria impensável ondas de violência com a do PCC em São
Paulo ou a guerra do tráfico no Rio”.
E o pior é que estas pessoas têm muita razão no que falam suspirando. O que é
profundamente triste e que atesta a total inépcia das nossas instituições
democráticas. A democracia no Brasil o transformou numa completa bagunça e falta
de comando. É como se o nosso passado colonial voltasse a tona e mostrasse que as
coisas só funcionam na “base do chicote”. É claro que a ditadura é um
sistema execrável , violento e absurdo, mas no nosso país o militarismo é motivo de
nostalgia e até de saudosismos.
Não era esse o país que eu sonhava quando na minha infância ficava pensando
nos “anos 2000”. Ficava imaginando que o Brasil seria uma potencia e que o
“Brasil o país do futuro” finalmente se firmasse como uma das grandes nações do
mundo. Que o samba, o carnaval, a cachaça e o futebol seriam apenas mais um dos
produtos de nossa exportação de alegria. Que o “jeito brasileiro de viver” fosse
admirado no mundo pela alegria, esperança e leveza e que nós com esse jeito
teríamos conseguido erradicar o analfabetismo, melhorado a distribuição de renda
e reduzido o abismo entre as classes sociais.
Mas eram só sonhos, a realidade é que tivemos o mérito de eleger um presidente
oriundo da classe pobre desse país, mas que infelizmente não sei se por
inexperiência ou por ingenuidade, quero acreditar que seja isso, entregou o
gerenciamento de áreas estratégicas da administração pública para as mãos de
pessoas mal intencionadas.
E o mundo em que vivemos, esse admirável século XXI heim? Tão tecnológico por
fora, tudo em tempo real, celulares, orkuts, computadores, e-mails e tão vazio
por dentro. As mulheres cada vez mais artificiais, peitos de silicone, bundas de
plástico, barriga de lipoaspirações e já nem disfarçam mais seus anseios e a sua
demanda por beleza. Os homens cada vez mais “velozes e furiosos”, com seus carros
brinquedinhos “tunados”, equipados com sons que estremecem os vidros e os
ouvidos. Seus ternos Armani e tantas poses e posses para mostrar o seu “sucesso”
e a sua virilidade. Ahhh… se eles pudessem ver a si mesmos com outros olhos, como se
achariam ridículos!
Esse não foi o século XXI que eu sonhava na minha infância de anos 60 movido a
carrinhos de rolemã e jogos de futebol na esquina de casa. Eu imaginava outra coisa,
pensava que seriamos como os Jetsons e teríamos naves ao invés de carros. Que ao
invés dos homens modernos serem metrosexuais ou “übersexuais” os homens do
futuro estivessem muito mais preocupados em se humanizar e mais próximos as
mulheres nos sentimentos. E que as mulheres de hoje seriam menos parecidas com os
homens, que afinal a “mulher do futuro” fosse menos dondoca ou socialite, menos
chata Cinderela e mais interessante “Barbarela” (Aventureira espacial com
pendores ninfomaníacos, do século XXXX, que usa a sensualidade para conquistar e
derrotar seus oponentes. Interpretada por Jane Fonda no cinema).
Enfim esse não é o mundo que eu sonhava, mas vivendo nele tenho que me adaptar, embora na maior parte do tempo me sinta um alienígena, um ET querendo
voltar para casa…
ET… phone home!!







