A Grande Festa

February 16, 2008

 

Tudo estava pronto para a grande festa anual dos sinais gráficos. A comissão organizadora, formada pelo cifrão ($) e pelos dois parênteses (( )) tinha decidido que os pontos finais não seriam convidados e, se viessem, não entrariam. “São muito chatos, a todo momento entram na conversa dos outros paralisando as frases, que ficam cortadas, sem sentido”, justificou o cifrão.

Durante a festa, os sinais formavam rodinhas de bate-papo. Alguns alegres, outros tristes. A arroba (@), por exemplo, era de longe a mais feliz entre os convivas. Com a Internet, estava sendo utilizada em todo o mundo. “Eu que cheguei a pensar que não mais seria usada para alguma coisa, além do preço do boi na bolsa, eis que a Internet me rejuvenesceu.”

O trema (¨), coitado, era só tristeza. Usando sua linguagem erudita, lamentava para a crase. “Estou fenecendo a cada dia solerte amiga. Poucos me utilizam. Os jornais, então, quase todos aboliram-me. E o pior. Às vezes usam-me em cima de outras letras que não o U, em palavras de línguas estrangeiras, principalmente as bárbaras européias, que não provêm do nosso saudoso latim.” A crase, que também tinha seus problemas, respondeu: “E eu, que quase ninguém sabe usar corretamente.”

A vírgula, trajando vestido roxo e longo, realçando suas formas curvilíneas, comentava com o dois pontos. “Caro colega, é impressionante como tem gente que me usa em excesso, me colocam até entre o sujeito e o verbo. Imagine você, fiquei sabendo de um leitor que ficou asmático depois de ler o livro de um escritor que me usava em profusão.”

A festa continuava. A orquestra tirava de letra as músicas, os convidados dançavam e bebiam. O ponto de exclamação (!), um dos mais esbeltos e elegantes, com seu smoking preto, perguntou à cedilha. “Parabéns por ter vindo desacompanhada do C.” Ela respondeu: “Você continua o mesmo galante de sempre e esta festa é o único lugar em que eu tenho sentido sozinha.”

De repente, na portaria do salão, veio o barulho de uma briga entre um convidado e o ponto de interrogação (?), responsável pela segurança. “Ponto final não foi convidado, não pode entrar.”, gritou o interrogação, curvando-se ao baixinho bravo. “Meu amigo, procure entender, eu não sou ponto final. Sou asterisco (*). É que tive a horrível idéia de passar gel nos cabelos.”

Um ótimo fim de semana a todos.

 

3 Responses to “A Grande Festa”

  1. Mauricio Silveira Says:

    Saudações Comandante!

    ~!@#$%^&*()_+|}{”:?><,./;’[]\ç

    Sabe o que quer dizer isto tudo que escrevi, usando os nossos amigos sinais?

    Você é o cara!

    Não sei a opinião do restante dos amigos do blog, mas eu já estou morrendo de saudades daquela seleção do “Ipod Essentials”….

    Come on, quebra o nosso galho vai; assim vou poder estrear o meu Ipod Touch brand new que está chegando na semana que vem com a sua incrível seleção, e não tenho dúvida que ele ficará muito honrado em ter os primeiros arquivos em mp3 gravados, vindos de fonte tão nobre.

    Se me permitir um pedido especial, aquele Medley da Madonna, extraído de um show ao vivo, mais ou menos na década de 80 e alguma coisa, e que só saiu em disco promocional para as emissoras de rádio e pra variar a Pool tocou primeiro, fico até sem palavras pra lhe agradecer.
    Eu até tenho ele, mas gravei de fita k7 e mesmo remasterizando, não ficou com aquela qualidade, e pra te dar a dica por completo, a sequência das músicas é a seguinte: Lucky Star, Everybody, Holiday, Like a Virgin (Billy Jean), Dress You Up e Material Girl, com 8 minutos de duração.

    By the way, ótimo início de semana pra ti, meu grande amigo.

    Abraço, fica com Deus.

    Mauricio Silveira (DJ Mau)

  2. Ismar Says:

    Julinho, cuidado com o Gel ! kkkk caso contrário você poderá deixar de postar os iPOD Essentials…rs

    que festa incrível!!

    Abraço,
    Ismar


  3. Inacreditável e Incomparável seleção … Parabéns agora e sempre !


Leave a Reply