George Bush
May 5, 2008
Nossa história começa em 1942, quando George H. W. Bush (o papai Bush), um jovem recém saído do secundário, aproveita-se da influência de seu pai, o Senador Prescott Bush (vovô Bush), para passar por cima dos regulamentos da marinha americana - que exigiam um mínimo de dois anos completos de faculdade para os candidatos a piloto - e torna-se o “mais jovem piloto da aviação naval”.
As conseqüências desse privilégio chegam dois anos depois.
Em 02/09/1944, quando o bombardeiro TBM Avenger que pilotava é atingido, o jovem entra em pânico e salta precipitadamente, deixando para trás os dois outros membros de sua tripulação, que jamais conseguiriam sair do aparelho e afundariam com ele para a morte e o esquecimento.
O nome desse avião era Barbara II, em homenagem à noiva do piloto. Que homenagem! Instrumento da morte e túmulo de dois companheiros abandonados. Pobre Bárbara! Melhor seria ter sido noiva de um juiz de futebol daqueles bem ladrões, que batizasse o próprio apito de Barbara II e depois anulasse três gols legítimos do time da casa…
Tempos depois, Bush contaria uma história diferente: seu avião estaria em chamas; ele teria sido obrigado a saltar, contra sua vontade… É uma história contraditória, com muitas versões. Mas a verdade veio à tona em 12/08/1988, quando a mais importante testemunha do acidente resolveu falar ao New York Post: “Ele (Bush) não está dizendo a verdade.” “Eu acho que ele poderia ter preservado aquelas vidas (…) se tivesse tentado um pouso forçado na água.” “(Aquele avião) jamais esteve em chamas.” (Artilheiro condecorado com a Cruz Voadora Chester Mierzejewksi, que voava a menos de 30 metros do cockpit de Bush, com visão direta deste).
Apesar de tudo, papai Bush, de influentes amigos, voltou para casa presenteado com uma medalha Cruz Voadora; e Bárbara cedeu à sua corte. Dessa união nasceu o G. W. Bush (pobre Bárbara!).
Mas antes de chegar lá, o irado rebento também teve sua anti-odisséia: alcoolismo, fracassos financeiros, fraudes e corrupção.
Em 1989, numa entrevista ao Time Magazine, Georginho colocou na boca do povo texano a seguinte pergunta sobre si próprio: “O que este garoto já fez na vida? Será que ele viveu apenas sob as asas do pai?” Isso em psicanálise chama-se projeção: colocar em um objeto externo um sentimento íntimo. Obviamente, era ao próprio Bush que a pergunta perturbava.
Mas, longe de não ter “feito nada”, ele havia sim é prejudicado muita gente. De 1986 a 1989, como diretor e consultor da Harken Energy Corp, Bush lesara acionista minoritários praticando pelo menos três delitos: “insider loans” (tomara empréstimos da própria empresa), “insider trading” (negociara ações, valendo-se de informações privilegiadas) e fraudes contábeis (para esconder prejuízos; muito parecidas com as da Enron).
Após eleger-se governador do Texas, Bush armou um esquema mais interessante. Ele nomeou o bilionário Thomas Hicks como presidente do Fundo de Investimentos da Universidade do Texas e modificou a legislação para lhe dar maior liberdade de gestão. Hicks investiu US$ 1,7 bilhões do fundo em companhias privadas, um terço disso em fundos geridos por ele próprio ou por associados. Hicks, em contrapartida, contribuiu alto para as campanhas de Bush, e comprou o time de baseball Texas Rangers, pagando a Bush US$ 15 milhões por sua parte, que havia custado apenas U$ 600 mil: lucro de 2.400%. Detalhe: o Rangers recebeu cerca de US$ 200 milhões em dinheiro público, incluindo terras para seu estádio (desapropriadas) na cidade de Arlington.
Hoje, a história continua, com a Halliburton Co (leia-se vice-presidente Cheney) ganhando obras de reconstrução no Iraque…
Quem é George Bush?
Um menino emocionalmente inseguro? Um alcoólatra? Um tirano ameaçador?
Sim. Todas essas coisas. Mas acima de tudo ele é uma farsa. Uma farsa não só eleitoral, não só para o público; mas uma farsa para si próprio, em sua mais profunda essência…
Se apenas papai Bush tivesse pego Bushezinho no colo, olhado em seus olhos e dito:
- Filho, papai errou. Papai teve medo e saltou daquele avião. Nós, humanos, somos assim mesmo: imperfeitos… Aceita, filho, tuas limitações; como eu aceito as minhas…
Talvez Bushezinho fosse menos infeliz, e o mundo tivesse um tirano a menos.








May 5, 2008 at 3:53 pm
Caro Julio Mazzei , desculpe entrar no comentário , mas preciso saber se vc. tem algum Podcast do programa Big apple show , que vc. fazia na antena 1 aos domingos de 18 as 19 horas , a conexão Brasil New York .
Obrigado Forte Abraço , Jorge Anderaus
May 5, 2008 at 4:31 pm
Minha sensação em relação ao desastre Bush é que só as pessoas que estão de fora dessa tragicomédia é que têm a real noção da sua real dimensão.
Julinho, esse seu post de hoje é irretocável. Será que agora que os americanos vão sentir diretamente no bolso a cobrança da conta da farra bushiana finalmente se darão conta dessa farsa? Será que finalmente vai ser possível ao americano médio vai enxergar a figura patética que é o seu presidente? Pior ainda será ver que, ao final dessa história, os patetas de verdade são aqueles que acreditaram e apoiaram um dia Bushinho e sua turba todo esse tempo.
Abraço
May 6, 2008 at 7:08 am
Meu querido parabens pelo documentario!! Fantastico!!! Vc è super e merece tudo de melhor nessa vida! Vc nao tem ideia do quanto contribuiu e continua contribuindo para o radio. E milhares de pessoas continuam se inspirando em vc…porque vc foi, è e sempre serà o MELHOR!!!!!
é uma grande honra e prazer ter vc como meu amigo.
Love uuuuuuuuuuuuu
Lu
May 6, 2008 at 9:46 am
Vi o documentário de cabo a rabo. Sensacional. Era o mínimo que podia ter sido feito por conta da sua importância na história do rádio brasileiro.
Só temos mesmo é que agradecer as muitas horas de alegria que passamos em sua companhia, de ouvido colado nas caixas de som. E agora, através desse ponto de contato aqui, temos que ficar sempre na sua cola pra recolher as pérolas lançadas no cyberespaço.
Grande abraço!!!!
May 6, 2008 at 3:29 pm
Sem palavras…uma aula….mais será q o povo americano vai deixar isso assim……naum vai ter um bushgate não…..bom..obrigado por mais essa aula…alem de ser nosso grande mestre no radio tbem nos mostra q naum podemos estar desatentos ao q aconteceu e acontece a nossas vidas direta ou indiretamente..saudaçoes!!Saúde e prosperidade irmão.
May 7, 2008 at 6:09 pm
Saudações Comandante!
Numa análise bem rápida do “curicullum” do nosso Bush, é possível verificar que ele pode se candidatar a qualquer cargo político aqui no Brasil, pois preenche todos os pré-requisitos!
Infelizmente também teria grandes chances de ser eleito, mas por hora, já temos nossos “Bushes” aqui e não precisamos de mais este, o original….
Grande abraço e que ele fique bem longe daqui.
Fica com Deus.
Abraços,
Mauricio Silveira (DJ Mau)
May 9, 2008 at 11:10 am
Que documentário, show de bola, adorei o conteúdo, pena que não se encontra nas lojas.
Sobre o Bush, lamentável, não podemos mais ter pessoas desse nível comandando um país.
Julinho, meu voto vai para você, faça uma campanha que você ganha..rs
Abração, torço por você, sempre
Ismar