O Formigueiro
October 2, 2009
Todos os dias aquele homem passava algumas horas observando um formigueiro em seu quintal. Nesta observação não agiu de forma normal, aniquilando aquela colônia. Também não interferiu nos costumes e procedimentos daqueles insetos. Apenas os observava, verificando o seu processo de civilização, o trabalho, e a forma como aquele povo levava sua vida. Tomou ciência das mais diversas atividades exercidas pelas operárias, pelos guardas do formigueiro e, vez por outra, um ou outro vislumbre da rainha que não saía da colônia, mas apenas surgia em um dos acessos daquele mundo subterrâneo.
De tanto observar, foi também observado. E alguns guardiões foram falar com a rainha a respeito dele. E ouviram dela que aquele ser, ao que tudo indicava, era eterno. Era dono de toda a terra conhecida. Inclusive dos próprios formigueiros. Avisou aos guardas que jamais o atacassem, tendo-se em vista que era muito poderoso. Em questão de segundos poderia destruir com o seu poder não só ela e os guardiões, mas toda a colônia. Disse que aquele ser era todo poderoso e que detinha a capacidade de arrasar todo o povo com venenos mortais, ou colocar um produto que incendiaria tudo em volta ou até mesmo inundar o local com tanta água que todos, sem exceção, pereceriam afogados. Mandou que os guardiões informassem todo o povo a respeito do que dissera.
E o homem continuava a observar o formigueiro, sem interferir, mantendo-se a uma distância tal que não incomodasse as tarefas dos insetos. Via o entre e sai das formigas. Via as diferenças físicas entre os vários tipos. Via como saíam e como entravam por vezes encurvadas com o peso de suas cargas.
Os guardiões trataram de cumprir as ordens da rainha e comunicaram a todo o formigueiro o que ela ordenara. E assim, o convívio entre o povo e aquele homem, de seu ponto de observação, era pacífico e tranqüilo.
Entretanto, começaram a entender que aquele ser, tido como todo poderoso, em nenhum momento, se imiscuíra nos assuntos da colônia e nem mesmo dos habitantes. Nem mesmo quando algumas formigas comeram em excesso, motivadas pela gula. Ou mesmo quando dissensões surgiam, resultando em brigas. Ou quando uma ou outra se recusava a cumprir suas tarefas. A presença constante daquele ser todo poderoso tornou-se o assunto favorito das formigas. E de tanto falarem a respeito de seus poderes, cada vez mais ampliados em função das conversas, acabaram formando um grupo coeso que se decidiu a homenagear aquele ser eterno e potente. Em uma das saídas do grupo, trouxeram para o formigueiro um graveto e nele, com suas mandíbulas, esculpiram uma tosca imitação daquele ser. A escultura foi colocada no início de um dos corredores principais.
Inicialmente apenas algumas formigas, ao passarem pelo corredor, davam um aceno de cabeça. Pouco a pouco, outras e outras começaram a venerar a imagem. Mas ainda havia muitas que não acenavam com a cabeça ao passar. E eram fortemente repreendidas pelas outras, pois estas temiam que a falta cometida ameaçasse a integridade de toda a colônia.
Surgiu não se sabe de onde e em dado momento, uma idéia fantástica: que as formigas ao morrerem, teriam outra vida, sendo que as que veneravam a imagem iriam para um formigueiro repleto de mel e as que não se curvavam iriam eternamente ser caçadas e torturadas por uma imensa quantidade de tamanduás. Nesta dicotômica situação criada, não fosse a imediata ação da rainha, o formigueiro teria virado um caos, com ambos os lados defendendo com patas e garras a sua idéia e seu posicionamento. A rainha estabeleceu limites no subterrâneo. De um lado as que veneravam a imagem e de outro as que não se curvavam ante aquele símbolo. O limite foi determinado por uma passagem estreita, onde guardiões se revezavam na tarefa de controlar os acessos e revistar as formigas que tentavam ultrapassar aquela fronteira.
Se de um lado este subterfúgio acalmou os ânimos, por outro lado aconteceu uma situação ainda mais embaraçosa para aquele povo.
No lado em que as formigas veneravam a imagem, a produção e a qualidade do trabalho caíram, pois passaram a dedicar mais tempo àquele culto, enquanto no outro lado ocorreu um progresso fantástico. Lá, descobriram novas formas de tornar o trabalho mais leve, desenvolveram-se novas técnicas de produção de alimentos e aquelas formigas “ímpias” conseguiram um padrão melhor de vida, com menos trabalho e mais fartura. Mas as formigas “crentes” voltaram suas costas para o progresso. Para elas era um crime contra aquele observador todo poderoso, toda aquela vida mais alegre e mais descontraída. E falavam aos quatro ventos que todo o formigueiro poderia perecer, pois aquele ser poderia, culpando toda a colônia, destruir a todas as formigas, inclusive a própria rainha e todos os fortíssimos guardiões.
Enquanto isso o homem observava que, de um lado do formigueiro os insetos saíam cautelosos e ficavam assustados quando o viam, enquanto no outro lado trabalhava-se menos e com muito mais alegria e disposição.
Um dia a rainha acordou sentindo-se mal. Os guardiões deram-lhe néctares, açúcar, água adocicada, mas ela não resistiu e faleceu. Com ela, paulatinamente, as demais formigas foram perecendo. De ambos os lados foram morrendo todas, independentemente de suas crenças. Em pouco o formigueiro ficou repleto de cadáveres e a atividade cessou.
O homem a tudo observou sem compreender. Como a atividade no formigueiro cessara, voltou para casa e foi ler o jornal.
Algumas formigas guardiãs de um formigueiro próximo, anos depois, resolveram explorar o local. Além de tantos cadáveres já ressecados, eles encontraram em um largo corredor uma tosca imagem feita de um graveto, que representava um ser humano e uma tabuleta onde se lia:
“ONIPOTENTE SER, DEUS DE TODOS OS FORMIGUEIROS.”








October 2, 2009 at 9:46 pm
oi julio estou aguardando para te ouvir novamente. enquanto isso cola aqui jogos do campeoantoa brasileiros as quartas e aos domingos ao vivo click aqui http://www.radioJDsports.com.br
um abraço
me avisa eh cara quando entrar no ar
October 2, 2009 at 10:28 pm
Como o Jarbas estou aguardando a sua volta com muito entusiasmo.Aquela grande abraçoa voce !!.
October 4, 2009 at 8:43 pm
Saudações Comandante Intergaláctico!!!
Até estes minúsculos seres nos ensinam, aliás se pararmos para pensar, o reino animal é uma lição de vida e com as coisas que ás vezes algumas pessoas fazem como a violência, nos fazem pensar quem realmente são os animais, se eles ou nós…
Sobre a Rádio Blog, que venha a nova sensação da webradio, agora capriche no link para não congestionar, pois novamente, como tudo que põe a mão vira ouro, lembra do Midas Touch, a internet vai congestionar de tanta gente te ouvindo.
Grande abraço, ótima semana pra ti meu irmão.
Mauricio Silveira (DJ Mau)
October 5, 2009 at 9:50 am
Muito legal a estória, mas cada macaco no seu galho, quando esses insetos resolvem se instalar nas casas é um problema sério, sem contar os prejuízos p/ agricultura, os tamanduás é que agradecem.!! Boa sorte nessa nova empreitada!!
Wellcome to the radioblog!!Thanks and god bless you.!!
October 5, 2009 at 1:57 pm
Alguém ai já levou ferroada de saúva? e quem já ficou plantado sobre um formigueiro conhecidas como lavapé, aquelas formiguinhas miudinhas que carca o ferrão?? Deus que me livre.
Eu quando garoto adorava brincar com as formigas, observar o trabalho delas principalmente as “saúvas”, observar a sua caminhada até o formigueiro vendo elas carregando as folhas cortadas, muitas delas carregando mais que o dobro de seu peso.
Julinho, estamos esperando uma rádio que não precise ter antena e nem ter que sintonizar nada, vê lá hem meu!!! não inventa moda…rs
Agora tem que ser totalmente sem chiados ou interferências.
Ismar